Professor Alexandro de Mello
1. A Origem dos Hábitos
Os hábitos nascem como respostas automáticas do cérebro diante de emoções intensas. Quando a ansiedade, o estresse ou a sensação de vazio aparecem, o cérebro busca um escape. No caso da tricotilomania, o ato de puxar fios de cabelo produz momentaneamente alívio e sensação de controle.
Com o tempo, o cérebro cria um circuito: tensão → arrancar fio → alívio → repetição. Quando há tricofagia (o ato de comer os fios arrancados), a compulsão se intensifica, e o risco à saúde aumenta de forma grave, já que o organismo não consegue digerir cabelo, podendo formar massas no estômago.
2. Como Identificar um Hábito
Você pode identificar esse hábito quando:
Percebe falhas ou áreas ralas de cabelo.
Sente impulso quase irresistível de puxar fios.
Nota que o ato ocorre em momentos de estresse, tédio ou preocupação.
Sente alívio imediato, seguido de culpa ou vergonha.
Evita situações sociais por medo de que os outros percebam.
No caso da tricofagia, o impulso de colocar fios na boca ocorre logo após arrancá-los.
3. O Que Fazer para Mudar o Hábito
Superar esse hábito exige um processo de enfrentamento consciente:
Consciência: observe em quais situações você mais arranca cabelos (ansiedade, solidão, estresse).
Confronto: entenda que arrancar fios não resolve o problema emocional, apenas mascara temporariamente.
Substituição: use objetos que possam ocupar as mãos (bolinhas antiestresse, argila, elásticos).
Barreiras físicas: usar touca, bandana ou alterar o penteado para reduzir o acesso fácil ao cabelo.
Ajuda profissional: em casos graves, especialmente quando há tricofagia, buscar acompanhamento psicológico é fundamental para tratar a compulsão na raiz.
4. Especificando o Hábito de Arrancar e Comer Cabelos
Esse hábito é devastador porque atua em três níveis:
Físico: queda capilar, falhas visíveis, dor no couro cabeludo e problemas gastrointestinais graves quando há ingestão.
Psicológico: sentimento de vergonha, isolamento social, baixa autoestima.
Emocional: tentativa inconsciente de aliviar angústia ou controlar algo que parece incontrolável na vida.
Não é um simples gesto, é um reflexo de que a mente encontrou no próprio corpo um alvo para descarregar tensões.
5. Confronto ao Leitor
Você pode esconder falhas no cabelo com bonés, lenços ou cortes estratégicos, mas não pode esconder de si mesmo que está preso a um ciclo que o consome por dentro.
Arrancar cabelos é tentar “arrancar” a ansiedade, mas ela volta. Comer fios é tentar “engolir” o problema, mas ele continua crescendo dentro de você. Até quando vai permitir que sua mente governe suas mãos e sua boca?
A escolha é dura: ou você enfrenta a ansiedade de frente, ou ela continuará usando seu corpo como palco para se manifestar.
6. Questionário de Autorreflexão
1. Em quais momentos você sente mais vontade de arrancar cabelos?
2. Quais emoções antecedem o impulso (ansiedade, tédio, raiva, frustração)?
3. O que você sente imediatamente após arrancar um fio?
4. Já percebeu áreas falhas em seu cabelo? Como isso afeta sua autoestima?
5. Já evitou sair de casa ou se expor por vergonha desse hábito?
6. Você já ingeriu fios de cabelo? Se sim, como se sente depois?
7. Quais tentativas já fez para interromper o hábito?
8. O que poderia ocupar suas mãos quando o impulso aparece?
9. Como seria sua vida se você não fosse mais dominado por esse comportamento?
10. Você está pronto para enfrentar a raiz emocional que sustenta esse hábito?
📌 Este é o segundo estudo da série “Hábitos e Medos”. Aqui vemos que o hábito de arrancar e até comer cabelos não é apenas um problema estético ou físico, mas um sinal profundo de como a mente, quando não é confrontada, pode transformar o corpo em cenário de sua luta.
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